Entre o game e a comida

Divertido é, mas as conseqüências podem ser graves. Na era digital, os games, MSNs e Orkuts tornaram-se os passatempos prediletos de muitas crianças e adolescentes. Isso tem feito com que a garotada fique horas e mais horas na frente do videogame e do computador. E, por causa do sedentarismo, os jovens estão se tornando cada vez mais obesos.
No País, o número de casos de obesidade nessa faixa etária aumentou cerca de 200% em 30 anos, aponta um estudo do IBGE divulgado . A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia estima que, atualmente, existam cerca de 6,7 milhões de crianças e adolescentes que sofrem do problema.
Segundo a coordenadora do laboratório de obesidade infantil da Faculdade de Medicina da USP, Sandra Villares, atividades como jogar bola e brincar de pega-pega estão sendo trocadas por computadores, videogames e televisão. "E esse sedentarismo aliado à má alimentação, com salgadinhos e refrigerantes, é um dos principais responsáveis pela obesidade no País."
"Os jovens, cada vez menos, fazem exercícios físicos", explica o chefe de nutrologia em Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Uma pesquisa coordenada por ele apontou que, em uma escola de São Paulo, cerca de 70% dos adolescentes não faziam mais que 1h30 de exercícios por semana. "O ideal é uma hora por dia."
A maioria dos especialistas recomenda que os jovens gastem, no máximo, duas horas por dia na frente da TV, computador ou videogame. Mas não é o que acontece. Um estudo da Associação Brasileira de Obesidade (Abeso), feito com crianças e adolescentes obesos, constatou que 81% gastavam mais de duas horas diárias na atividade.
O estudante Pedro Henrique Xavier, 13 anos, por exemplo, ultrapassa fácil essa marca. "Estudo à tarde. Então, de manhã, quando acordo, assisto cerca de duas horas de televisão. Quando volto da escola, fico cerca de três horas no videogame."
Nos finais de semana, o tempo que Pedro dedica aos games aumenta. E muito. "No sábado e domingo, fico o dia inteiro jogando."
"Atualmente, tanto o pai como a mãe trabalham fora. E, com a violência nas grandes cidades, eles preferem que seus filhos fiquem em casa. E qual é a alternativa para esses jovens? Como não têm o que fazer, acabam correndo para o videogame ou para a televisão."
Esse é o problema da empresária Ingrid Garcini. Sua filha, Júlia, de 9 anos, em casa com a empregada, chegava a passar até 7 horas diárias no PC. "Ela começou a engordar porque também ‘beliscava’ comida a tarde inteira."
Como resultado, a garota foi diagnosticada como obesa e, por isso, foi obrigada a fazer exercícios e a alterar sua alimentação. "Hoje, faço aulas de jazz e patinação e brinco mais com minhas amigas", diz a menina, que diminuiu o uso do micro para 1 hora por dia.
Exercícios nos games
Nem todos os videogames são os vilões da obesidade infantil. Em alguns, como o Pump, por exemplo, é possível gastar calorias. Nele, é preciso dançar em cima de uma máquina ou tapete especial para fazer pontos.
Há, ainda, academias de ginástica que instalaram bicicletas ergométicas conectadas a consoles de viodegame. Para jogar, é preciso pedalar. Caso contrário, o jogo pára.