Educar ou Adestrar

O que está sendo feito no âmbito familiar e escolar com nossas crianças e com nossos adolescentes? No âmbito familiar, nós estamos educando ou simplesmente adestrando nossos filhos? E as nossas escolas? Será estão educando ou simplesmente adestrando os seus alunos?

Este questionamento é muito importante e acho que todos nós devíamos estar fazendo isso há muito tempo. Vamos falar um pouco sobre isso. Primeiramente vamos ao Dicionário (Novo Aurélio) para melhor elucidar os termos: educar e educação.

Quanto ao termo Educar, o dicionário nos diz que Educar é: "promover a educação", "transmitir conhecimentos", "instruir", "Aclimatar", "Cultivar o espírito,instruir-se, cultivar-se" etc.

Quanto à palavra educação, o dicionário conceitua: Educação é o "Ato ou Efeito de Educar", é o "Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social".

Quando se trata do ser humano, nós somos concordes com estas explicações, que até podiam ser muito mais complexas, pois não é possível educar sem que este processo seja feito reconhecendo as potencialidades do ser pensante que o ser humano é, quer seja criança, adolescente ou adulto. Quanto se tratar de seres irracionais, empregamos mais comumente as palavras domesticar, domar e adestrar. Não ficaria bem falarmos em domar ou domesticar crianças e adolescentes. O mesmo podemos dizer do termo adestrar. Podemos domar um potro, ou domar um cavalo, ou então podemos domesticar um gato, domesticar um cachorro, ou adestrar um tigre, adestrar um urso etc e assim dito, ficará tudo bem. O que não se pode dizer é que vamos domar um adolescente ou domesticar uma criança. Seres humanos não foram feitos para domar, nem para domesticar, nem para adestrar, foram feitos para serem educados, e educados no sentido mais racional que a palavra possa exprimir. O ser humano deve ser educado sempre na base do raciocínio; ele tem que entender o processo educacional ao qual ele está sendo submetido, e nunca forçado ou enganado para conseguirmos um determinado comportamento que somente eu ou você achamos que está certo. No âmbito familiar está acontecendo mais educação ou mais adestramento? A resposta a esta pergunta é muito simples e fácil, basta ver se está havendo castigo ou promessa de castigo, ou se está havendo premiação ou promessa de premiação para obtenção de um comportamento que os pais desejam e acham que está certo. Premiação e castigo são as duas formas possíveis, empregadas para o adestramento de animais. Se estas duas maneiras para se conseguir um adestramento estão sendo aplicadas como processo educacional está havendo adestramento e não educação, como deveria haver. Na educação o castigo não deve existir, e os pais devem abolir completamente esta forma de adestrar. Quanto à premiação, também não há necessidade de existir na educação. Não confundir premiação com reconhecimento, este sim deve acompanhar todo o processo educacional. Tudo deve ser discutido, explicado, através de um diálogo franco, pormenorizado, acerca de tudo que estiver ocorrendo ou que possa ocorrer. Não são sós os pais que devem estar falando, as crianças também devem se manifestar e os adultos têm obrigação de ouvi-las, e juntos encontrarem a melhor solução. Desta forma a criança é obrigada a estar raciocinando nas suas afirmações e isto faz com que haja um aprendizado racional e duradouro das coisas. Só desta forma estaremos educando.

Se conduzirmos nosso raciocínio para o âmbito escolar, podemos verificar se está havendo educação ou adestramento, usando as mesmas questões que usamos no âmbito familiar. Se estiver havendo castigo nas escolas, é porque está havendo adestramento e não educação. A própria nota escolar pode ser um castigo ou uma premiação, se ela levar em conta somente comportamentos desejados por professores e dirigentes. Na maioria das vezes a nota escolar leva embutida uma razoável parte dos comportamentos desejados pelos professores além dos conhecimentos adquiridos pelos alunos. Neste caso está havendo adestramento e não educação. O professor que lança os seus textos e cobra uma reprodução integral dos alunos, não permitindo uma discussão ampla dos textos, está realizando um processo de adestramento. Se a escola está agindo assim, estamos muito mal, estamos adestrando e não educando. Na educação os textos não podem e não devem ser invariáveis; a linha de raciocínio dever ser mantida, porem, eles devem conter sempre a parte específica do aluno que o está redigindo. Esperamos que este texto leve você leitor a meditar mais sobre este assunto tão importante.

 

Carlos Roberto Caliento

Médico –

Professor – Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras.

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