Reformas na Praça do Japão
A Praça do Japão esta com reforma programada para o início do próximo ano, a praça tem sido motivo de discordância em relação ao seu conceito e formas de utilização. O arquiteto Luiz Hayakawa, responsável pelo projeto do Parque do Imperador (com entrega para junho de 2008, comemorando o centenário da imigração japonesa no Brasil) e por outros diversos em Curitiba, define o local como "espaço de respiro da cidade, local de encontro, para ser desfrutado por toda a comunidade local".
A atual administração – que é feita em contrato de comodato entre a Associação Nipo-Brasileira de Curitiba e a Prefeitura Municipal da cidade – já vê o local de forma diferente. A Praça do Japão, para Cláudia Suemi Hamasaki, artista plástica e uma das coordenadoras dos matsuris da cidade, responsável por estar à frente da administração da praça, foi transformado com o passar dos anos. "A praça se tornou referência para as pessoas que querem saber mais da cultura e costumes japoneses. Muitos vêm até o local querendo mais informações, aulas de língua japonesa, culinária, além de querer saber mais sobre mangás e animes", diz.
Ela conta (confirmada por Seto, que desde o início da construção trabalhou no local) que inúmeros estudantes de todas as idades – tanto universitários quanto alunos de ensino fundamental e médio – procuram na praça informações em diversas áreas sobre o Japão, incluindo nutrição, costumes, língua, etc.
E é aí que entram as divergências da Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba e a administração da Praça do Japão em relação à reforma. Segundo a arquiteta responsável Denise Murata, a reforma será completa no prédio do memorial. "Será uma reforma no que for preciso para melhorar o lugar, tanto na parte hidráulica, elétrica e estrutural no sentido de reparar, caso for necessário."
Quando há grandes chuvas na cidade, o espaço que ora abriga a cerimônia do chá (chanoyu) ora o centro zen-budista, e que possui tatames no chão, fica todo molhado. A reforma, que está no orçamento da prefeitura para 2007, deve resolver este problema. No entanto, para Suemi e Seto, não é o bastante. "O ideal era que tivéssemos um espaço maior, banheiros públicos, uma integração da banca de revistas e da lanchonete (que ficam na ponta da praça) com a administração do memorial e até mesmo um paisagismo mais característico do Japão, pois faltam espécies nativas do país aqui", diz Suemi. A Praça do Japão, ao longo dos anos, transformou-se num ponto de encontro de fãs de animes e mangás, matsuri dance e bom odori, cosplay e costumes orientais.
O contra-argumento dos arquitetos é que a praça é uma praça, de domínio público e uso coletivo e não da comunidade japonesa de Curitiba. "É louvável que a comunidade nipo-brasileira daqui tenha transformado o lugar, que é usufruído por toda a comunidade local e ainda dá um realce à cultura japonesa. Mas temos que preservar a área verde, ter quanto mais áreas lúdicas puder, mas sem descaracterizar construindo mais prédios e, daqui uns anos, não conseguindo mais identificar que ali existia uma praça", explica Luiz Hayakawa.
O temor do arquiteto é que toda esta procura pela cultura japonesa seja passageira e, se a prefeitura ceder fazendo mais construções, daqui a alguns anos a praça será um espaço cercado e cheio de telhados. "Devemos perguntar: será que é adequado? Será que não é uma moda? Não se pode confundir o espaço da praça como um possível comércio", argumenta o arquiteto.
Existem, segundo Suemi e Seto, dois pesos e duas medidas, que devem ser levadas em conta para uma reforma satisfatória: a área cultural e a área urbanística. "Não queremos que a praça perca a forma, mas entendemos que ela se transformou com o passar dos anos e isso não se pode negar. Ela é referência do Japão e é aqui que mais se divulga a cultura japonesa na cidade", explica Suemi. Cláudio Seto complementa: "Todos deviam ver que é aqui na Praça que jovens aprendem sobre o Japão, dançam bon-odori, conhecem mangás e até a língua japonesa".