3274-0104 - 3402-3721 - VIVO 9188-9889 - TIM 9602-2284 contato@jornalfolhadobatel.com.br

Camila Fremder e Jana Rosa vieram brevemente a Curitiba para lançar seu novo livro “Enfim, 30”. Em pausa para um café, conversamos sobre os novos planos e mudanças desde seu último lançamento, “Como Ter Uma Vida Normal Sendo Louca”, de 2013.

Ambas nasceram em São Paulo, poucos anos a parte, dividem o gosto por moda, por internet, pela escrita e também algumas crises.

A amizade começou graças ao ambiente em que elas mais são ativas: da web. Depois de muitos retwitts, se encontraram na São Paulo Fashion Week. Camila deveria entrevistar Jana, acontece que a entrevista se tornou uma longa conversa. Que se tornou um jantar. Que se tornou uma amizade e até agora dois livros. Antes da literatura, já tinham empreendido em dupla criando aplicativos para celular. “Nossa, nem lembrava do aplicativo”, ri Jana. “Faz tempo”, considera Camila.

Numa dinâmica que lembra Amy Poehler e Tina Fey, Camila e Jana trocam piadas, risadas e olhares – daqueles que nada se fala, mas muito se entende – com agilidade impressionante. É preciso atenção para não perder as referências.

“Nosso humor é muito parecido”, explica Camila enquanto Jana retoca o batom vermelho – como o que estampa a capa do livro, “acho que isso nos ajuda muito na hora de escrever. Por mais que ela tenha uma crise e eu tenha outra, por a gente ter um humor similar, a coisa fluir por aí”.

O público que as seguem é também muito parecido: jovem, feminino e sempre online. A transição da internet para as páginas impressas foi natural, uma continuação do diálogo que promovem em suas redes.

Para elas, a produção online é efêmera. Um texto em link dura o tempo em que é lido e logo se perde na esfera com outros milhares de caracteres. “O livro é uma continuação do online, todas as pessoas da internet estão lançando livro, porque é o produto que a gente tem pra oferecer: o nosso conteúdo”, afirma Jana.

Embora distintos, “Como Ter Uma Vida Normal Sendo Louca” e “Enfim, 30”, exploram o universo feminino num tom de brincadeira que leva em si algumas alfinetadas. “O ‘Como Ter Uma Vida Normal’ tinha mais compromisso com ser engraçado, rir das coisas que a gente vivia, já o ‘Enfim’ é um livro que pode nos ajudar”, me disse Jana enquanto colocava açúcar no café, “eu ainda estou em crise, eu tenho 30 agora, várias vezes eu fico muito mal e eu penso: eu não posso ficar mal porque a gente escreveu aquilo e eu vou seguir”.

Durante as pesquisas, em livros que abordavam o tema, algo recorrente eram as regras: o que deveria ser feito, usado, conquistado ao chegar aos 30 anos. “Nos dois livros estamos questionando o que você deveria ser ou não, pela linha do humor. A gente procura quebrar essas regras que são impostas, falamos sobre liberdade. Se comporte do jeito que você quiser, faça o que você quiser…”, Camila diz.

Os capítulos se dividem em cada uma dessas temáticas, que são destrinchadas à riso, da impossibilidade de ser adulta e ainda carregar uma franja na testa (algo que as duas autoras fazem), a como agir quando sua melhor amiga está grávida.

“Esse livro tem o que a gente acha, mas expomos as opiniões de especialistas e deixamos livre para que você faça o que quiser. É sobre isso que falamos”, comenta Jana. Nomes como Aparecida Liberato e Glória Kalil endossam as páginas dando mais fluidez ao texto.

A evolução como escritoras se dá também pela evolução pessoal. Camila e Jana se veem mudadas desde a primeira publicação, e isso transparece na escrita. Mais madura, ainda que engraçada, mais realista, ainda que sem ter todas as respostas. As situações retratadas em “Enfim, 30” podem ter protagonismo na nossa terceira década, mas são questões pelas quais passamos bem antes disso.
Uma rixa cultural entre mulheres, hoje na chacota “as inimigas”, é algo diário em tempos escolares ou de escritório. Sem perder a cadência entre uma piada e outra, Camila e Jana nos convidam a desconstruir tal pensamento.

“…Competição você vai enfrentar muito, com homens e mulheres; e amigos em que não podemos confiar, infelizmente, podem ser homens, mulheres, gays e héteros. […] Como nossa amiga drag queen maravilhosa Flippa Chiquitita já profetizou com toda sua sabedoria: ‘quem tem inimiga é Power Ranger’”.
Enfim, 30 (2015)

As histórias quando não partem das vivências das autoras, vem das conversas com amigas próximas, com as mães, colegas de trabalho… Talvez por isso, quando não com o livro todo, em pelo menos um dos capítulos qualquer mulher pode se identificar.

“Pra essa geração de internet em que só se posta o que deu certo, mostrar que nem sempre as coisas acontecem como você planejou é legal”, reflete Camila. “Queremos aliviar a pressão e talvez fazer com que as pessoas que estejam sofrendo dessa pressão, percebam que não precisam passar por isso sozinhas”, completa Jana.

Camila, que disse já ter se livrado do retorno de Saturno, nos aconselha à calma enquanto em crise: “Não precisa ter a ansiedade de querer respostas para todas as coisas. Depois, você entende que tudo acontecesse independente do que faça”.

“Enfim, 30” é um convite – que parte de Camila e Jana mas poderia vir de qualquer amiga sua – à liberdade de ser quem você quiser. E como no livro, você pode contar com o apoio das mulheres a sua volta para isso.