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Certamente a grande maioria dos brasileiros normais (se é que algum brasileiro é normal), responderão: éramos felizes no ensino médio, os mais velhos diriam “Colegial”, e não sabíamos. E é justamente a montanha-russa de emoções que passamos durante essa fase da vida que a Laís Bodanzky, que também dirigiu O bicho de sete cabeças, tentou retratar no bom As melhores coisas do mundo.

Confesso que desde o começo me identifiquei com o filme, tanto pelos ares e sotaques de São Paulo, quanto pela escolha de uma escola particular e conservadora como cenário. Tais escolhas dão pontos à trama, por fugir das locações tipo exportação, na periferia das grandes cidades.

O personagem principal (Mano), vive naquele período que tanto gostamos, sofremos, aproveitamos e temos a impressão que poderíamos ter aproveitado mais. Apesar de a era da informação ser muito mais presente nessa geração do que na minha, do final dos anos 90 e começo dos anos 2000, Bodanzky exibe esses altos e baixos muito bem, pois mostra aquele brilho nos olhos a cada nova descoberta, bem como a cara emburrada com os imprevistos da vida de um  adolescente.

O que na adolescência chamávamos de zoação, virou bullying e agora, já na segunda década do século XXI, evoluímos (ou involuímos) para o cyberbullying. Muito bem colocada a frase em uma reunião de pais no filme “o mundo mudou muito nesses últimos cinco, dez anos”. Você discorda? Eu não, mas também acredito que algumas coisas são universais, como o som dos Beatles, cantada ao longo da trama.

No começo do filme acho que Mano responde a pergunta que fiz “Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce. Só fica mais complicado”. Deve ser por isso que Fernando Sabino escreveu que depois de adulto não lhe perguntam o que ele gostaria de ser, se perguntassem ele responderia “quero ser criança”.